Juízes 6 – O Chamado de Gideão

A. Apostasia, servidão e súplica.

1. (1) A apostasia de Israel os leva à servidão.

De novo os israelitas fizeram o que o Senhor reprova, e durante sete anos ele os entregou nas mãos dos midianitas.

a. Então os filhos de Israel fizeram o que era mau: Os quarenta anos de descanso (Juízes 5:31) após a derrota de Sísera eventualmente chegaram ao fim. Em sua prosperidade e complacência, Israel fez o que era mau aos olhos do SENHOR.

b. Assim o SENHOR os entregou nas mãos de Midiã: Deus trouxe Israel à escravidão através da opressão dos midianitas. Esse foi um exemplo da graça e misericórdia de Deus para com Israel porque a opressão os faria voltar-se para Deus. Teria sido pior se Deus simplesmente os tivesse deixado sozinhos.

2. (2-6) Os detalhes da escravidão de Israel a Midiã.

Os midianitas dominaram Israel; por isso os israelitas fizeram para si esconderijos nas montanhas, nas cavernas e nas fortalezas. Sempre que os israelitas faziam as suas plantações, os midianitas, os amalequitas e outros povos da região a leste deles as invadiam. Acampavam na terra e destruíam as plantações ao longo de todo o caminho, até Gaza, e não deixavam nada vivo em Israel, nem ovelhas nem gado nem jumentos. Eles subiam trazendo os seus animais e suas tendas, e vinham como enxames de gafanhotos; era impossível contar os homens e os seus camelos. Invadiam a terra para devastá-la. Por causa de Midiã, Israel empobreceu tanto que os israelitas clamaram por socorro ao Senhor.

a. Os filhos de Israel fizeram para si as covas, as cavernas e as fortalezas: A opressão de Midiã – vinda por causa do pecado de Israel – trouxe Israel à humilhação. Antes de voltarem para Deus, eles tiveram que ser humilhados, vivendo como moradores de cavernas em vez de pessoas propriamente civilizadas.

b. Sempre que Israel semeava, os midianitas subiam: Os midianitas não ocupavam continuamente a terra, mas apenas vinham na época da colheita para roubar o que os israelitas cultivavam (não deixavam sustento para Israel).

i. O pecado de Israel tornou todo o seu trabalho árduo sem proveito. Todos os seus produtos e rebanhos eram roubados depois que trabalhavam duro para trazê-los à fruição. O pecado faz isso; ele nos rouba do que trabalhamos duro para ganhar. Há muitos homens realizados que perdem tudo na vida porque não param com seu pecado. Tudo pode ser perdido para ganhar o que, em retrospecto, parece nada.

ii. Até Gaza: “Isto é, toda a largura da terra, do Jordão até a costa do Mar Mediterrâneo. Assim toda a terra foi devastada e os habitantes privados das necessidades da vida.” (Clarke)

c. Tanto eles como seus camelos eram incontáveis: Os midianitas eram um povo que habitava o deserto, e eles dominavam Israel por causa de seu uso eficaz de camelos.

i. “É claro que o uso deste animal angular e imponente causou terror nos corações dos israelitas.” (Cundall)

d. E os filhos de Israel clamaram ao SENHOR: Após a longa temporada de humilhação, trabalho infrutífero, pobreza e dominação por um poder opressor, Israel finalmente clamou ao SENHOR. Infelizmente, a oração foi seu último recurso em vez de seu primeiro recurso.

3. (7-10) Em resposta ao clamor de Israel ao SENHOR, Deus envia um profeta.

Quando os israelitas clamaram ao Senhor por causa de Midiã, ele lhes enviou um profeta, que disse: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Tirei vocês do Egito, da terra da escravidão. Eu os livrei do poder do Egito e das mãos de todos os seus opressores. Expulsei-os e dei a vocês a terra deles. E também disse a vocês: Eu sou o Senhor, o seu Deus; não adorem os deuses dos amorreus, em cuja terra vivem, mas vocês não me deram ouvidos’ ”.

a. O SENHOR enviou um profeta: O juiz libertador aparecerá mais tarde. Antes que Israel pudesse receber e responder à obra do juiz, eles primeiro tiveram que ser preparados por este profeta não nomeado.

b. Eu vos fiz subir do Egito: Deus falou através do profeta, lembrando Israel de tudo o que Ele fez por eles no passado. Para enfrentar sua crise atual, Israel precisava de um lembrete do que Deus fez antes.

i. Isso lembrou Israel do amor de Deus. O Deus amoroso o suficiente para antes libertar do Egito, ainda os amava o suficiente para agora libertá-los dos midianitas.

ii. Isso lembrou Israel do poder de Deus. O Deus poderoso o suficiente para antes libertar do Egito ainda era poderoso o suficiente para agora libertá-los dos midianitas.

c. Mas vós não obedecestes à Minha voz: Deus enviou este mensageiro para dizer-lhes onde estava o verdadeiro problema. Não era que os midianitas fossem tão fortes; era que Israel era tão desobediente.

i. Israel pensava que o problema eram os midianitas, mas o verdadeiro problema era Israel. É da natureza humana culpar outros por problemas que nós causamos.

ii. A mensagem do profeta também mostra que quando Israel clamou ao SENHOR, eles não entenderam que eles eram o problema. Seu clamor a Deus por ajuda não significava que eles reconheceram ou se arrependeram de seu pecado.

B. O libertador é chamado.

1. (11-13) O Anjo do SENHOR aparece a Gideão.

Então o Anjo do Senhor veio e sentou-se sob a grande árvore de Ofra, que pertencia ao abiezrita Joás. Gideão, filho de Joás, estava malhando o trigo num tanque de prensar uvas, para escondê-lo dos midianitas. Então o Anjo do Senhor apareceu a Gideão e lhe disse: “O Senhor está com você, poderoso guerreiro”.

“Ah, Senhor”, Gideão respondeu, “se o Senhor está conosco, por que aconteceu tudo isso? Onde estão todas as suas maravilhas que os nossos pais nos contam quando dizem: ‘Não foi o Senhor que nos tirou do Egito?’ Mas agora o Senhor nos abandonou e nos entregou nas mãos de Midiã”.

a. O Anjo do SENHOR veio e sentou-se debaixo do carvalho: Quando o Anjo do SENHOR apareceu a Gideão, reconhecemos isso como uma teofania – uma aparição do Antigo Testamento de Jesus Cristo, em forma humana e corpórea, mas antes de Sua encarnação em Belém.

i. A descrição do encontro com o Anjo do SENHOR mostra que este não é meramente um anjo falando em nome de Deus. Mostra que o próprio Deus, aparecendo em forma humana, falou com Gideão:

· Então o SENHOR voltou-se para ele e disse (Juízes 6:14).

· E o SENHOR lhe disse (Juízes 6:16).

ii. Uma vez que nenhum homem viu Deus Pai em tempo algum (João 1:18, João 5:27) e por natureza o Espírito Santo é um espírito sem forma corpórea, é razoável ver isso como uma aparição da Segunda Pessoa da Trindade, como uma aparição de Deus Filho. No entanto, esta não é a encarnação no mesmo sentido que Jesus estava como um bebê em Belém. Em Belém Jesus era verdadeira e plenamente humano (enquanto também era verdadeira e plenamente Deus). Aqui, é mais provável que Jesus tenha tomado a mera aparência de humanidade, fazendo isso para um propósito específico.

b. Gideão malhava o trigo no lagar: Isso era tanto difícil quanto humilhante. O trigo era malhado em espaços abertos, tipicamente no topo de uma colina para que a brisa pudesse soprar a palha. O trigo não era normalmente malhado em um lugar rebaixado como um lagar.

i. “Este era um lugar de privacidade; ele não podia fazer uma eira em plena luz do dia como era o costume, e passar a roda sobre o grão, ou debulhá-lo com os pés dos bois, por medo dos midianitas, que costumavam vir e levá-lo assim que debulhado.” (Clarke)

ii. “Assim Deus chamou Moisés e Davi de seguir as ovelhas, Eliseu do arado, os apóstolos da pesca, lavando e consertando suas redes. Ele geralmente aparecia aos ocupados em visões, assim como Satanás aparece aos ociosos em múltiplas tentações.” (Trapp)

c. O SENHOR é contigo, homem valente e valoroso: Esta foi uma saudação estranha para Gideão. Não parecia que o SENHOR estava com ele e não parecia que ele era um homem valente e valoroso. Gideão poderia ter se virado para ver se havia outra pessoa com quem o anjo falava.

i. “Em que consistia aquela valentia? Aparentemente, ele era um homem simples vivendo uma vida muito comum. O Anjo o encontrou em seu dever diário.” (Morgan)

d. Onde estão todos os Seus milagres que nossos pais nos contaram: Gideão ouviu sobre as grandes obras de Deus no passado, mas ele se perguntava por que não via as mesmas grandes obras em seus dias. Gideão pensava que o problema estava com Deus (agora o SENHOR nos desamparou) – não com ele e com a nação de Israel como um todo. Na verdade, Israel abandonou Deus – Deus não abandonou Israel.

i. No entanto, para seu crédito, incomodava Gideão que Israel estivesse nesta condição. Ele estava longe de ser apático ou fatalista. “Ele é revelado como um homem continuando seu trabalho com a amargura de toda a situação queimando como fogo em seus ossos.” (Morgan)

2. (14-16) O chamado de Gideão ao serviço de Deus.

O Senhor se voltou para ele e disse: “Com a força que você tem, vá libertar Israel das mãos de Midiã. Não sou eu quem o está enviando?” “Ah, Senhor”, respondeu Gideão, “como posso libertar Israel? Meu clã é o menos importante de Manassés, e eu sou o menor da minha família.” “Eu estarei com você”, respondeu o Senhor, “e você derrotará todos os midianitas como se fossem um só homem”.

“Eu estarei com você”, respondeu o Senhor, “e você derrotará todos os midianitas como se fossem um só homem”.

“Eu estarei com você”, respondeu o Senhor, “e você derrotará todos os midianitas como se fossem um só homem”.

a. Vai nesta tua força: É difícil ver que Gideão tinha alguma força para ir. No entanto, o Anjo do SENHOR não zombou de Gideão quando lhe disse: “Vai nesta tua força.” Gideão de fato tinha força, mas não como normalmente poderíamos pensar.

· Gideão tinha a força do humilde, malhando trigo no chão do lagar.

· Gideão tinha a força do cuidadoso porque ele se importava com a baixa posição de Israel.

· Gideão tinha a força do conhecimento porque ele sabia que Deus fez grandes coisas no passado.

· Gideão tinha a força do espiritualmente faminto porque ele queria ver Deus fazer grandes obras novamente.

· Gideão tinha a força do ensinável porque ele ouviu o que o Anjo do SENHOR disse.

· Gideão tinha a força do fraco, e a força de Deus se aperfeiçoa na fraqueza (2 Coríntios 12:9).

b. Ah, meu Senhor, como livrarei Israel: Gideão tinha força para seguir adiante, mas ele não podia ver-se como alguém que poderia fazer grandes coisas para Deus. Ele pensava em si mesmo como insignificante, do menor clã em sua tribo, e que ele era o menor em sua própria família.

i. Ao mesmo tempo, Gideão estava correto: ele não podia livrar Israel. Mas um grande Deus poderia usar um Gideão pequeno e fraco para resgatar Israel.

c. Certamente Eu serei contigo, e ferirás os midianitas como se fossem um só homem: A garantia de Deus a Gideão não foi para construir sua autoconfiança, mas para assegurá-lo de que Deus estava de fato com ele. Gideão não precisava de mais confiança em si mesmo; ele precisava de mais confiança em Deus.

i. É importante saber que Deus nos enviou, mas é ainda maior saber que Ele está conosco. Esta foi a mesma garantia que Deus deu a Moisés (Êxodo 3:12) e que Jesus deu a todos os crentes (Mateus 28:20).

3. (17-21) Um sinal do Anjo do SENHOR.

E Gideão prosseguiu: “Se de fato posso contar com o teu favor, dá-me um sinal de que és tu que estás falando comigo. Peço-te que não vás embora até que eu volte e traga minha oferta e a coloque diante de ti”.

Gideão foi para casa, preparou um cabrito, e com uma arroba de farinha fez pães sem fermento. Pôs a carne num cesto e o caldo numa panela, trouxe-os para fora e ofereceu-os a ele sob a grande árvore.

Gideão foi para casa, preparou um cabrito, e com uma arroba de farinha fez pães sem fermento. Pôs a carne num cesto e o caldo numa panela, trouxe-os para fora e ofereceu-os a ele sob a grande árvore. E o Anjo de Deus lhe disse: “Apanhe a carne e os pães sem fermento, ponha-os sobre esta rocha e derrame o caldo”. Gideão assim o fez.

Com a ponta do cajado que estava em sua mão, o Anjo do Senhor tocou a carne e os pães sem fermento. Fogo subiu da rocha, consumindo a carne e os pães. E o Anjo do Senhor desapareceu.

a. Mostra-me um sinal de que és Tu que falas comigo: Não foi errado Gideão pedir um sinal confirmatório. Fazia sentido pedir a Deus para confirmar alguma área de direção que não estava especificamente detalhada em Sua palavra, e em relação a algo tão de vida ou morte como liderar Israel em batalha contra um inimigo.

i. Por exemplo, não precisamos de um sinal especial de que Deus nos ama porque Ele demonstrou para sempre Seu amor na cruz de acordo com Romanos 5:8. Isso é verdade para muitas outras coisas especificamente detalhadas na palavra de Deus. No entanto, quando se trata de orientação em coisas não especificamente detalhadas na palavra de Deus, é possível procurar e esperar confirmação de várias maneiras.

b. Subiu fogo da rocha e consumiu a carne e os pães ázimos: O sinal milagroso sozinho não deveria ter persuadido Gideão porque há enganos milagrosos. No entanto, este milagre de fogo junto com os outros aspectos de toda esta experiência deveria ter persuadido Gideão de que tudo isso era do SENHOR.

i. “Aqui estava um sinal de que os midianitas seriam destruídos sem o trabalho do homem.” (Trapp)

4. (22-24) Gideão reage com temor e adoração ao sinal milagroso.

Quando Gideão viu que era o Anjo do Senhor, exclamou: “Ah, Senhor Soberano! Vi o Anjo do Senhor face a face!”

Disse-lhe, porém, o Senhor: “Paz seja com você! Não tenha medo. Você não morrerá”. Gideão construiu ali um altar em honra ao Senhor e lhe deu este nome: O Senhor é Paz. Até hoje o altar está em Ofra dos abiezritas.

a. Então Gideão percebeu que Ele era o Anjo do SENHOR: Isso demonstra que antes disso, Gideão acreditava que esta pessoa era simplesmente um homem. A aparição do Anjo do SENHOR era completamente humana em seu caráter.

b. Paz seja contigo; não temas, não morrerás: Uma vez que Gideão percebeu a identidade do Anjo do SENHOR, ele ficou aterrorizado. O Anjo do SENHOR trouxe esta palavra consoladora ao aterrorizado Gideão.

i. “Por que Gideão estava com medo? Não porque ele era um covarde – você dificilmente encontrará um homem mais corajoso em toda a Escritura do que este filho de Joás – mas porque até homens corajosos ficam alarmados com o sobrenatural. Ele viu algo que nunca tinha visto antes, uma aparição celestial, misteriosa, acima do que é geralmente visto por homens mortais; portanto, como ele temia a Deus, Gideão estava com medo.” (Spurgeon)

c. Então Gideão edificou ali um altar ao SENHOR: Gideão fez isso como um ato de adoração e consagração ao SENHOR, a quem ele acabara de encontrar face a face. Ele não estava mais aterrorizado de Deus, como demonstrado pelo título dado ao altar: O-SENHOR-É-Paz.

i. “Quando Gideão está completamente em paz, o que ele começa a fazer por Deus? Se Deus te ama, Ele te usará para sofrimento ou serviço; e se Ele te deu paz, você deve agora se preparar para a guerra. Você me achará estranho se eu disser que nosso Senhor veio nos dar paz para que Ele pudesse nos enviar para a guerra?” (Spurgeon)

C. O início do ministério de Gideão.

1. (25-27) Removendo a adoração a Baal de seu meio.

Naquela mesma noite o Senhor lhe disse: “Separe o segundo novilho do rebanho de seu pai, aquele de sete anos de idade. Despedace o altar de Baal, que pertence a seu pai, e corte o poste sagrado de Aserá que está ao lado do altar. Depois faça um altar para o Senhor, o seu Deus, no topo desta elevação. Ofereça o segundo novilho em holocausto com a madeira do poste sagrado que você irá cortar”. Assim Gideão chamou dez dos seus servos e fez como o Senhor lhe ordenara. Mas, com medo da sua família e dos homens da cidade, fez tudo de noite, e não durante o dia.

a. Naquela mesma noite que o SENHOR lhe disse: Isso aconteceu imediatamente. Quando Gideão se tornou receptivo a Deus, Deus o guiou. Talvez tenha acontecido assim que Gideão construiu o altar; com o altar construído, agora Deus lhe ordenou que sacrificasse algo nele.

b. Derriba o altar de Baal que teu pai tem: Na comunidade de Gideão, Baal era adorado lado a lado com Yahweh. Deus chamou Gideão para colocar sua própria casa em ordem primeiro.

i. Parece que dois touros deveriam ser oferecidos: um como oferta pelo pecado, e o outro como oferta de consagração. “Parece que o segundo touro foi oferecido, porque tinha exatamente sete anos, Juízes 6:25, tendo nascido na época em que a opressão midianita começou; e agora deveria ser morto para indicar que sua escravidão deveria terminar com sua vida.” (Clarke)

c. Ele o fez de noite: Gideão provavelmente fez isso à noite e sob o manto do sigilo porque temia que a casa de seu pai e os homens da cidade o impedissem de fazer o que precisava ser feito.

2. (28-32) A remoção de um altar levanta uma controvérsia.

De manhã, quando os homens da cidade se levantaram, lá estava demolido o altar de Baal, com o poste sagrado ao seu lado, cortado, e com o segundo novilho sacrificado no altar recém-construído! Perguntaram uns aos outros: “Quem fez isso?” Os homens da cidade disseram a Joás: “Traga seu filho para fora. Ele deve morrer, pois derrubou o altar de Baal e quebrou o poste sagrado que ficava ao seu lado”. Joás, porém, respondeu à multidão hostil que o cercava: “Vocês vão defender a causa de Baal? Estão tentando salvá-lo? Quem lutar por ele será morto pela manhã! Se Baal fosse realmente um deus, poderia defender-se quando derrubaram o seu altar”. Por isso naquele dia chamaram Gideão de “Jerubaal”, dizendo: “Que Baal dispute com ele, pois derrubou o seu altar”.

Por isso naquele dia chamaram Gideão de “Jerubaal”, dizendo: “Que Baal dispute com ele, pois derrubou o seu altar”.

a. Gideão, filho de Joás, fez esta coisa: Eles não tiveram dificuldade em descobrir quem era responsável pela destruição do altar. Gideão foi descoberto imediatamente. O que ele fez não pôde ser escondido.

b. Traz o teu filho para fora, para que morra, porque derrubou o altar de Baal: Isso mostra o quão poderosa era a adoração a Baal em Israel naquela época. “A heresia havia se tornado a religião principal.” (Wolf)

i. O antigo Israel adorava Baal porque ele era considerado o deus do clima, e eles dependiam do clima para a prosperidade agrícola. Nos tempos econômicos difíceis por causa da opressão midianita, as pessoas adoravam Baal ainda mais, não entendendo que apenas pioravam as coisas ao não se voltarem para Deus.

ii. “Todos sentiam interesse na continuação de ritos nos quais muitas vezes tinham muitas gratificações sensuais. Baal e Astarote teriam mais adoradores do que o Deus verdadeiro, porque seus ritos eram mais adaptados à natureza decaída do homem.” (Clarke)

c. Se ele é um deus, que contenda por si mesmo, porque seu altar foi derrubado: O pai de Gideão fez um argumento muito lógico para preservar a vida de seu filho. Uma vez que Baal era a parte ofendida, ele poderia se defender.

i. Isso é semelhante ao que aconteceu durante um grande mover de Deus nos Mares do Sul no século 19. Um chefe tribal foi convertido ao cristianismo, e ele reuniu todos os ídolos de seu povo. O chefe disse aos ídolos que ia destruí-los, e então deu-lhes a chance de fugir. Ele destruiu todos os que ficaram sentados lá como estátuas mudas.

ii. Este incidente deu a Gideão o apelido Jerubaal. O nome significa: “Um homem contra quem Baal deve lutar e contender; um título de honra.” (Trapp)

3. (33-35) Gideão reúne um exército.

Nesse meio tempo, todos os midianitas, amalequitas e outros povos que vinham do leste uniram os seus exércitos, atravessaram o Jordão e acamparam no vale de Jezreel. Então o Espírito do Senhor apoderou-se de Gideão, e ele, com toque de trombeta, convocou os abiezritas para segui-lo. Enviou mensageiros a todo o Manassés, chamando-o às armas, e também a Aser, a Zebulom e a Naftali, que também subiram ao seu encontro.

a. O Espírito do SENHOR veio sobre Gideão: Isso segue o padrão familiar da obra do Espírito sobre os homens sob a Antiga Aliança. O Espírito Santo vem sobre pessoas específicas por razões específicas, geralmente para liderança divinamente capacitada. Sob a Nova Aliança, um derramamento amplo e generoso do Espírito Santo é prometido sobre toda carne (Joel 2:28-29, Atos 2:17-18).

b. Então ele tocou a trombeta: Por causa desta capacitação divina, Gideão foi capaz de reunir um número impressionante de tropas em pouco tempo. Juízes 7:3 nos diz que 32.000 homens vieram para segui-lo em batalha.

4. (36-40) Deus assegura as dúvidas de Gideão.

E Gideão disse a Deus: “Quero saber se vais libertar Israel por meu intermédio, como prometeste. Vê, colocarei uma porção de lã na eira. Se o orvalho molhar apenas a lã e todo o chão estiver seco, saberei que tu libertarás Israel por meu intermédio, como prometeste”. E assim aconteceu. Gideão levantou-se bem cedo no dia seguinte, torceu a lã e encheu uma tigela de água do orvalho. Disse ainda Gideão a Deus: “Não se acenda a tua ira contra mim. Deixa-me fazer só mais um pedido. Permite-me fazer mais um teste com a lã. Desta vez faze ficar seca a lã e o chão coberto de orvalho”. E Deus assim fez naquela noite. Somente a lã estava seca; o chão estava todo coberto de orvalho.

a. Se hás de livrar Israel por minha mão como disseste: Deus já havia dado a Gideão um sinal (Juízes 6:17-21). Aqui, Gideão pediu a Deus para fazer um segundo milagre para confirmar Sua palavra – e então um terceiro milagre para confirmá-la novamente.

i. Às vezes os cristãos falam sobre colocar um “velo” diante do SENHOR. Esta frase se refere ao que Gideão fez aqui. Ele usou um velo literal ao pedir a Deus para confirmar Sua Palavra com um sinal.

ii. Adam Clarke descreveu como o antigo comentarista da igreja Orígenes, que era dado a alegorizar, encontrou o significado “mais profundo” deste relato:

· O velo representa o povo judeu e a área ao seu redor representa os gentios.

· O velo estava coberto de orvalho enquanto tudo ao redor estava seco, representando a nação judaica favorecida com a lei e os profetas.

· O velo estava então seco e tudo ao redor estava molhado com orvalho, representando que a nação judaica foi rejeitada por rejeitar o Evangelho e o Evangelho foi pregado aos gentios e eles se converteram a Deus.

· O orvalho espremido na tigela representa as doutrinas do cristianismo, que são extraídas dos escritos judaicos. Isso também é prefigurado por Cristo derramando água em uma bacia e lavando os pés dos discípulos.

b. Então saberei que livrarás Israel por minha mão, como disseste: Gideão mostrou que tinha uma fé fraca e imperfeita. Para uma missão tão ousada e que põe a vida em perigo, alguém poderia entender (e encorajar) seu pedido por um sinal (cumprido em Juízes 6:17-21). Mas pedir por segundo e terceiro sinais mostrou que sua fé era fraca.

i. O teste estava errado porque era essencialmente um truque, e não tinha nada a ver com lutar contra os midianitas. Gideão provavelmente não entendia que estava na verdade ditando seus termos a Deus. Às vezes Deus mostra Seu desagrado com tais pedidos. Em Lucas 1:18, quando Zacarias, o pai de João Batista, pediu um sinal confirmatório, o SENHOR o fez mudo até o nascimento de seu filho.

ii. Gideão também não cumpriu sua palavra. Deus cumpriu o sinal uma vez, e Gideão disse que isso seria suficiente para ele. Mas ele voltou atrás em sua palavra depois que Deus cumpriu o primeiro sinal. No entanto, o SENHOR ainda foi misericordioso e gracioso com Gideão. “Este é um exemplo notável da paciência graciosa de Deus com uma criança perturbada.” (Wood)

iii. No entanto, antes de ser muito crítico com Gideão, devemos considerar o desafio que estava à sua frente. Muitos de nós recusaríamos imediatamente tal chamado, sem sequer considerar permitir que Deus o confirmasse. A fé fraca de Gideão ainda era maior do que nenhuma fé. Por esta razão, Gideão está corretamente incluído no registro de grandes homens e mulheres de fé (Hebreus 11:32).

©1996–presente O Enduring Word Comentário Bíblico por David Guzik –