Josué 8 – Vitória sobre Ai, Israel em Gerizim e Ebal
A. Planos para a vitória.
1. (1-2) Deus encoraja Josué e lhe dá instruções.
A Destruição de Ai Você fará com Ai e seu rei o que fez com Jericó e seu rei; e desta vez vocês poderão se apossar dos despojos e dos animais. Prepare uma emboscada atrás da cidade”.
a. Não temas, nem te desanimes: Israel foi derrotado em Ai (Josué 7:4-5), perdendo 36 homens em batalha. Mas pior do que sua derrota foi que ela expôs a verdade de que Deus não estava com Israel na batalha de Ai. Sem a bênção, presença e proteção contínuas de Deus, Israel jamais poderia esperar conquistar Canaã e seria destruído na terra. Depois de ter exposto e lidado com o pecado que levou à derrota em Ai (Josué 7:10-26), Israel poderia novamente receber encorajamento de Deus. O pecado praticado e não confessado os tornou fracos, e merecidamente temerosos e desanimados. Com o pecado tratado, eles poderiam confiar na restauração de Deus e afastar o medo e o desânimo.
i. A falha de obediência em Jericó (Josué 7:11, 7:20-21) e a derrota em Ai (Josué 7:4-5) poderiam, de alguma forma, ser colocadas em bom uso. Devidamente tratadas, poderiam servir como ponto de partida para vitória futura.
b. Toma contigo toda a gente de guerra, e levanta-te, sobe a Ai: Era hora de Israel voltar ao lugar onde havia sido derrotado anteriormente. Novamente no favor de Deus, eles poderiam, pela fé, esperar um resultado diferente.
c. Porém os seus despojos e o seu gado tomareis para vós: Graciosamente, Deus permitiria que Israel guardasse os despojos da cidade de Ai. Isso torna o pecado de Acã ainda mais tolo e trágico. Se ele tivesse obedecido a Deus em Jericó, poderia ter recebido despojos da batalha de Ai.
i. Deus não permitiu que Israel tomasse despojos ou gado de Jericó. No entanto, isso foi permitido na maioria das batalhas depois disso. “Embora esse fosse o costume para a maioria das batalhas, sua especificação significa uma ruptura com a prática relativa ao saque de Jericó. Lá tudo se tornou consagrado. Esta instrução divina significa uma flexibilidade no significado da proibição, que poderia ser interpretada por Deus de acordo com as necessidades particulares do povo. Como tudo que era capturado pertencia a Deus, Ele também poderia escolher devolver parte disso a Israel.” (Hess)
d. Põe emboscadas à cidade, por detrás dela: Deus deu a Josué um plano para conquistar a cidade de Ai. Cabia a Josué e aos exércitos de Israel seguir o plano de Deus.
2. (3-8) Planos feitos para uma emboscada contra Ai.
Então Josué e todo o exército se prepararam para atacar a cidade de Ai. Ele escolheu trinta mil dos seus melhores homens de guerra e os enviou de noite com a seguinte ordem: “Atenção! Preparem uma emboscada atrás da cidade, e não se afastem muito dela. Fiquem todos alerta. Eu e todos os que estiverem comigo nos aproximaremos da cidade. Quando os homens nos atacarem como fizeram antes, fugiremos deles. Eles nos perseguirão até que os tenhamos atraído para longe da cidade, pois dirão: ‘Estão fugindo de nós como fizeram antes’. Quando estivermos fugindo, vocês sairão da emboscada e tomarão a cidade. O Senhor, o seu Deus, a entregará em suas mãos. Depois que tomarem a cidade, vocês a incendiarão. Façam o que o Senhor ordenou. Atentem bem para as minhas instruções”.
a. Escolheu Josué trinta mil homens valentes: Na primeira batalha contra Ai, Josué enviou apenas 3.000 soldados (Josué 7:4). Para a segunda batalha, ele enviou 30.000 homens valentes. Josué obviamente confiava em Deus, mas também estava disposto a usar todos os recursos e os melhores recursos disponíveis para ele.
i. Toda a gente de guerra significa todos os 30.000 que participariam desta batalha. “Como Ai era apenas uma pequena cidade, contendo apenas doze mil habitantes, teria sido absurdo empregar um exército de várias centenas de milhares de homens contra eles.” (Clarke)
b. Eis que vós poreis emboscadas à cidade, por detrás da cidade: Embora Deus tenha dado a Josué o plano geral para a batalha (Josué 8:2), Ele deixou para a experiência e o bom senso santificado de Josué estabelecer as maneiras específicas pelas quais o plano seria executado.
i. “Deus também tem seus estratagemas; Ele às vezes parece recuar, para poder vir sobre seus inimigos com maior vantagem. No final de todos os problemas presentes estará a ruína da facção anticristã, e veremos a Igreja em sua beleza mais perfeita.” (Trapp)
3. (9-10) Josué permanece com o povo.
Então Josué os enviou. Eles foram e ficaram de emboscada entre Betel e Ai, a oeste de Ai. Josué, porém, passou aquela noite com o povo. Na manhã seguinte Josué passou em revista os homens, e ele e os líderes de Israel partiram à frente deles para atacar a cidade.
a. Josué passou aquela noite no meio do povo: Josué estava especialmente perto de seu povo durante este momento crucial de tentar recuperar a vitória. O povo precisava saber que ele estava perto, e precisava seguir sua liderança.
i. Como uma antecipação de Jesus Cristo, Josué estava com seu povo, assim como Jesus prometeu estar com Seu povo até o fim dos tempos (Mateus 28:20).
b. Josué se levantou de madrugada e passou revista ao povo: A segunda batalha de Ai seria travada com iniciativa e energia. Não houve tentativa de atrasar a batalha por qualquer motivo.
i. “Ele é muito notado por levantar-se cedo: sua vigilância sendo igual à sua coragem.” (Trapp)
ii. “Parece que Josué passou a noite com o povo, do outro lado do vale de Ai (Josué 8:9, 11), mas tarde da noite ele se levantou e foi para o vale em preparação para os eventos do dia (Josué 8:13).” (Howard)
B. Vitória na segunda batalha de Ai.
1. (11-13) Preparativos para a segunda batalha de Ai.
Todos os homens de guerra que estavam com ele avançaram, aproximaram-se da cidade pela frente e armaram acampamento ao norte de Ai, onde o vale os separava da cidade. Josué pôs de emboscada cerca de cinco mil homens entre Betel e Ai, a oeste da cidade. Os que estavam no acampamento ao norte da cidade, e os que estavam na emboscada a oeste, tomaram posição. Naquela noite Josué foi ao vale.
a. E toda a gente de guerra que estava com ele subiu e se aproximou: Na segunda batalha de Ai, Israel tomou a iniciativa. Eles não esperaram que Ai trouxesse a batalha para eles; eles trouxeram a batalha para Ai.
b. Josué foi naquela noite ao meio: Josué assumiu responsabilidade ativa e pessoal na segunda batalha de Ai. Em Jericó, não havia papel especial que Josué desempenhasse, exceto certificar-se de que o povo de Deus obedecesse aos mandamentos de Deus. Na primeira batalha de Ai, Josué enviou homens para a batalha, não indo ele mesmo (Josué 7:3-5). Após a derrota na primeira batalha de Ai, Josué não cometeria o mesmo erro novamente. Ele estava no meio desta ação militar.
2. (14-17) A emboscada funciona; os homens de guerra de Ai deixam a cidade.
Quando o rei de Ai viu isso, ele e todos os homens da cidade se apressaram, levantaram-se logo cedo e saíram para enfrentar Israel no campo de batalha, no local de onde se avista a Arabá. Ele não sabia da emboscada armada contra ele atrás da cidade. Josué e todo o Israel deixaram-se perseguir por eles e fugiram para o deserto. Todos os homens de Ai foram chamados para persegui-los. Eles perseguiram Josué e foram atraídos para longe da cidade. Nem um só homem ficou em Ai e em Betel; todos foram atrás de Israel. Deixaram a cidade aberta e saíram em perseguição de Israel.
a. Vendo isto o rei de Ai, os homens da cidade se apressaram, e se levantaram de madrugada, e saíram ao encontro de Israel para a batalha: Os homens de Ai usaram a mesma estratégia contra Israel que funcionou na primeira batalha de Ai (Josué 7:4-5).
i. Os crentes às vezes observam que Satanás, o inimigo do povo de Deus (Efésios 6:12, 1 Pedro 5:8), continuará com uma estratégia contra o povo de Deus até que ela não funcione mais. É por isso que é sempre importante resistir ao diabo, seus agentes e suas estratégias.
ii. “Preparações cuidadosas para a guerra, como as descritas aqui, foram usadas como ilustração do discipulado por Jesus. Ele lembrou seus discípulos da necessidade de contar o custo de segui-lo (Lucas 14:31–33).” (Hess)
b. E Josué e todo o Israel se fizeram como vencidos diante deles: Deus orientou Josué a usar uma estratégia completamente diferente contra Ai. Esta derrota fingida levaria à vitória para Israel.
i. Não ficou um só homem em Ai ou em Betel: “A proximidade de Ai com Betel pode ter encorajado o exército de Betel a vir em auxílio de Ai. A emboscada israelita teve que ser escondida da estrada principal para impedir que as tropas vindas de Betel as descobrissem.” (Madvig)
3. (18-20) A armadilha é executada contra Ai.
Disse então o Senhor a Josué: “Estende a lança que você tem na mão na direção de Ai, pois nas suas mãos entregarei a cidade”. Josué estendeu a lança na direção de Ai, e assim que o fez, os homens da emboscada saíram correndo da sua posição, entraram na cidade, tomaram-na e depressa a incendiaram. Quando os homens de Ai olharam para trás e viram a fumaça da cidade subindo ao céu, não tinham para onde escapar, pois os israelitas que fugiam para o deserto se voltaram contra os seus perseguidores.
a. Estende a lança que está na tua mão: Moisés, o predecessor de Josué, frequentemente exercia o poder vitorioso de Deus com uma mão ou vara estendida (Êxodo 9:22-23, 10:12-13, 10:21-22, 14:21). Aqui, Deus disse a Josué para fazer a mesma coisa. A lança estendida para Ai era uma ilustração do poder que Deus tinha sobre a cidade cananeia. A Bíblia frequentemente usa a figura da mão ou braço estendido de Deus como demonstração de Seu poder (Êxodo 15:12, Deuteronômio 4:34, 5:15, 7:19, 9:29, Salmo 136:12, 138:7).
b. Entraram na cidade, e a tomaram, e se apressaram a pôr fogo à cidade: O plano funcionou perfeitamente. Com os homens de guerra de Ai perseguindo o exército israelita, a cidade ficou exposta.
i. Pôr fogo à cidade: “Provavelmente isso não significa mais do que eles deveriam acender um fogo na cidade, cuja fumaça seria uma indicação de que a haviam tomado.” (Clarke)
4. (21-29) A derrota completa de Ai.
Vendo Josué e todo o Israel que os homens da emboscada tinham tomado a cidade e que desta subia fumaça, deram meia-volta e atacaram os homens de Ai. Os outros israelitas também saíram da cidade para lutar contra eles, de modo que foram cercados, tendo os israelitas dos dois lados. Então os israelitas os mataram, sem deixar sobreviventes nem fugitivos, mas prenderam vivo o rei de Ai e o levaram a Josué. Israel terminou de matar os habitantes de Ai no campo e no deserto, onde os tinha perseguido; eles morreram ao fio da espada. Depois disso, todos os israelitas voltaram à cidade de Ai e mataram os que lá haviam ficado. Doze mil homens e mulheres caíram mortos naquele dia. Era toda a população de Ai. Pois Josué não recuou a lança até exterminar todos os habitantes de Ai. Mas Israel se apossou dos animais e dos despojos daquela cidade, conforme a ordem que o Senhor tinha dado a Josué. Assim Josué incendiou Ai e fez dela um perpétuo monte de ruínas, um lugar abandonado até hoje. Enforcou o rei de Ai numa árvore e ali o deixou até a tarde. Ao pôr-do-sol Josué ordenou que tirassem o corpo da árvore e que o atirassem à entrada da cidade. E sobre ele ergueram um grande monte de pedras, que perdura até hoje.
a. E os feriram, de modo que não deixaram ficar deles nem sobrevivente nem fugitivo: A vitória e o julgamento de Deus foram completos na segunda batalha de Ai. Por causa da fidelidade de Deus a Israel e da resposta obediente de Israel a Deus, esta não foi uma vitória parcial.
i. “As mesas viraram. As mesmas expressões que anteriormente descreviam o sucesso de Ai e a derrota de Israel agora são usadas para realçar a liderança de Josué ao reverter a aparente derrota.” (Clarke)
ii. “A história da tomada de Ai é uma de estratégia militar brilhante. Assim, novamente o fato foi trazido à proeminência de que ao prosseguir a obra de Jeová deve sempre haver um reconhecimento do valor e uso do melhor da razão humana.” (Morgan)
b. Josué não retirou a sua mão, que estendera com a lança: Em Êxodo 17:8-16, Josué era o general liderando o exército de Israel que se beneficiou dos braços estendidos de Moisés em oração na batalha contra os amalequitas. Aqui, Josué é aquele que inspira Israel à vitória com seu braço estendido.
i. “Josué manteve seu braço estendido, com sua espada na mão, até que a derrota de Ai estivesse completa. Isso mostra que a espada estendida era mais do que um sinal para iniciar a batalha (veja Josué 8:18): era também um símbolo da presença e ajuda de Deus na batalha.” (Howard)
c. Até destruir totalmente a todos os moradores de Ai: De acordo com o mandamento de Deus, Israel não mostrou misericórdia ao povo de Ai. Isso fazia parte do papel único de Israel como instrumento de Deus do julgamento há muito merecido dos cananeus, e como justa retribuição pela vitória de Ai na primeira batalha (Josué 7:5).
i. Por analogia espiritual, o povo de Deus deve permanecer implacável na batalha contra a carne e contra o diabo e todos os seus agentes.
ii. E ao rei de Ai enforcou num madeiro: “Ele havia saído à frente de seus homens e foi feito prisioneiro, Josué 8:23; e a batalha tendo terminado, ele foi ordenado a ser enforcado.” (Clarke)
iii. “O corpo do rei foi retirado ao pôr do sol, de acordo com a injunção em Deuteronômio de que um corpo não poderia permanecer exposto durante a noite (Deuteronômio 21:22-23). Aqui novamente, Josué estava observando a lei tão de perto quanto possível.” (Howard)
d. Conforme a palavra do SENHOR que tinha ordenado a Josué: Até agora, a experiência de Israel era uma ilustração de sua história futura, e da história espiritual de muitos cristãos. Este ciclo será especialmente proeminente no livro de Juízes.
· Obediência seguida de vitória.
· Vitória seguida de bênção.
· Bênção seguida de orgulho e desobediência.
· Desobediência seguida de derrota.
· Derrota seguida de julgamento.
· Julgamento seguido de arrependimento.
· Arrependimento seguido de obediência.
· Obediência seguida de vitória, e o ciclo continua.
C. Bênçãos proclamadas do Monte Gerizim, maldições do Monte Ebal.
1. (30-31) Um altar construído no Monte Ebal.
A Renovação da Aliança no Monte Ebal conforme Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado aos israelitas. Ele o construiu de acordo com o que está escrito no Livro da Lei de Moisés: um altar de pedras não lavradas, nas quais não se usou ferramenta de ferro. Sobre ele ofereceram ao Senhor holocaustos e sacrifícios de comunhão.
a. Então Josué edificou um altar ao SENHOR Deus de Israel: Isso foi em cumprimento do que Deus ordenou em Deuteronômio 11:29-32 e Deuteronômio 27-28, especialmente Deuteronômio 27:1-8. O SENHOR disse a Israel para vir ao Monte Ebal e ao Monte Gerizim. Em Ebal, eles deveriam construir um altar, sacrificar ao Senhor e ler a lei.
i. As bênçãos e maldições de Deuteronômio 27-28 não foram apenas anunciadas por Moisés a Israel nas planícies de Moabe. De acordo com o mandamento de Deus, elas também foram cerimonialmente lidas a todo Israel em Gerizim e Ebal, as colinas de bênção e maldições. Seis tribos ficaram em cada montanha.
· Em Gerizim (bênção): Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim.
· Em Ebal (maldições): Rúben, Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali.
· Entre eles: a arca da aliança.
ii. “Ebal e Gerizim estão a cerca de uma milha e meia de distância no topo, mas apenas cerca de 500 jardas de distância na base. Gerizim atinge aproximadamente 2.895 pés acima do nível do mar, Ebal a 3.077 pés. Isso significa que Gerizim fica cerca de 800 pés acima do vale e Ebal cerca de 1.000 pés.” (Schaeffer)
iii. O altar ao SENHOR Deus de Israel e os sacrifícios sobre ele estavam no Monte Ebal, a colina associada às maldições. Era lá que era necessário, e era lá que Deus providenciou para o fracasso de Seu povo: através do sistema sacrificial.
b. E ofereceram sobre ele holocaustos ao SENHOR, e sacrificaram ofertas pacíficas: Este foi um ato apropriado de adoração e consagração a Deus, seguindo uma grande vitória. Israel teve o cuidado de dar a Deus os agradecimentos e a glória por seu triunfo na segunda batalha de Ai.
i. Até mesmo o altar construído em Ebal não exibiria a glória do homem, porque não foi feito com uma ferramenta de ferro usada para gravar as pedras. Eram pedras inteiras, não embelezadas pelo homem. O altar exibia o que Deus fez, não o que o homem fez.
ii. “É interessante que mil anos depois os samaritanos construíram seu altar em Gerizim, não em Ebal. Então, quando a mulher de Samaria disse a Jesus: ‘Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar’, ela estava apontando para Gerizim (João 4:20). Jesus respondeu desviando-a daquela montanha (assim como do Monte Sião) para si mesmo e seu sacrifício vindouro.” (Boice)
2. (32-35) Bênçãos lidas do Monte Gerizim, maldições do Monte Ebal.
Ali, na presença dos israelitas, Josué copiou nas pedras a Lei que Moisés havia escrito. Todo o Israel, estrangeiros e naturais da terra, com os seus líderes, os seus oficiais e os seus juízes, estavam em pé dos dois lados da arca da aliança do Senhor, diante dos sacerdotes levitas, que a carregavam. Metade do povo estava em pé, defronte do monte Gerizim, e metade, defronte do monte Ebal. Tudo conforme Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado anteriormente, para que o povo de Israel fosse abençoado. Em seguida Josué leu todas as palavras da lei, a bênção e a maldição, segundo o que está escrito no Livro da Lei. Não houve uma só palavra de tudo o que Moisés tinha ordenado que Josué não lesse para toda a assembléia de Israel, inclusive mulheres, crianças, e os estrangeiros que viviam no meio deles.
a. Escreveu nas pedras uma cópia da lei de Moisés, que ele tinha escrito: Neste ato de obediência, vemos Josué como um homem do Livro, obedecendo ao mandamento de Josué 1:8. Também vemos Israel como um povo do Livro ordenando suas vidas segundo a palavra de Deus.
i. “A palavra ‘pedras’ tem um artigo em hebraico e se refere a pedras especiais cobertas com gesso que Moisés havia ordenado que fossem preparadas para este propósito (Deuteronômio 27:4).” (Madvig)
ii. “Os israelitas simplesmente pegaram pedras do campo e as empilharam juntas. Então alguém cobriu essas grandes pedras com um revestimento que poderia ser facilmente gravado ou pintado rapidamente com um pincel como foi feito nos cacos. Alguém cuidadosamente escreveu os Dez Mandamentos neste revestimento.” (Schaeffer)
iii. Eles obedeceram a Deus e deram atenção à Sua palavra a um custo ou inconveniência. A distância de Ai a Ebal e Gerizim era um longo caminho para mover todas as tribos de Israel, de 20 a 25 milhas (32 a 40 km).
iv. “Levantamentos e escavações no Monte Ebal revelaram um local lá, no terceiro pico mais alto, que o escavador sugere que poderia ser identificado com o altar de Josué.” (Hess) Havia evidências de ofertas de animais queimados neste altar, mas nenhuma estatueta religiosa (ídolos).
b. Tanto o estrangeiro como o natural: Isso significa que entre o grupo considerado a nação de Israel estavam aqueles que nasceram como gentios, mas haviam entrado sob a lei e aliança do Deus de Israel. Estes eram estrangeiros por nascimento, mas andavam no meio do povo da aliança.
i. Entre Ebal e Gerizim estava Siquém, uma cidade significativa que não é mencionada nesta parte de Josué. Siquém tem uma longa história com o povo da aliança de Deus, remontando ao tempo de Abraão.
ii. A falta de menção de qualquer batalha com o povo de Siquém sugere a possibilidade de que eles se renderam a Israel, negaram seus deuses cananeus e se submeteram ao Deus de Israel como Raabe havia feito (Josué 2:8-14, 6:25). Isso também é sugerido pela menção do estrangeiro (Josué 8:33) e dos estrangeiros (Josué 8:35) neste contexto imediato.
iii. “‘Estrangeiros e cidadãos igualmente’ foram incluídos em Israel e participaram da renovação da aliança. A religião de Israel em seu melhor sempre foi uma religião missionária. Desde o tempo do Êxodo, estrangeiros que escolheram viver com Israel e adorar seu Deus foram assimilados à nação como, por exemplo, Raabe e sua família (cf. 1 Reis 8:41–43).” (Madvig)
iv. “Nesse sentido, esses estrangeiros eram verdadeiros ‘convertidos’ à fé no Deus de Israel. De fato, o grego antigo traduz o termo hebraico aqui com a palavra grega proselutos, que forma a base da palavra inglesa ‘prosélito’ (isto é, aquele que se converte). Isso mostra — assim como a história de Raabe — que a fé de Israel não era um sistema fechado: estava aberta a forasteiros.” (Howard)
c. Metade deles em frente do Monte Gerizim e a outra metade em frente do Monte Ebal: Este era um lugar apropriado para fazer isso, e toda a nação podia ouvir esta leitura da lei. A área tem um efeito de anfiteatro natural por causa do contorno das colinas.
i. Este evento era sugestivo de muitos princípios espirituais duradouros.
· Há uma escolha entre bênção e maldição para a humanidade, especialmente para o povo de Deus.
· Frequentemente as maldições parecem mais significativas do que as bênçãos.
· A expiação é necessária no terreno das maldições, e Deus fez provisão para esta expiação, enraizada no sacrifício de uma vítima inocente.
ii. Este evento, neste lugar, mostrou que Israel controlava o meio da terra de Canaã e as terras altas. Isso os colocou em uma boa posição estratégica para conquistar o resto da terra de Canaã.
iii. “O aspecto estratégico da batalha move Israel da ‘borda’ de Canaã nas planícies de Jericó para o centro da região montanhosa. Da região estratégica de Betel e Ai, Israel estaria posicionado para os eventos vindouros ao norte (Josué 8:30–35; 11) e ao sul (Josué 9–10).” (Clarke)
d. Não houve palavra alguma de tudo o que Moisés tinha ordenado que Josué não lesse perante toda a congregação de Israel: Este foco na palavra revelada de Deus era o fundamento para a segurança e bênção futuras de Israel. Quando permaneceram atentos e geralmente obedientes à palavra de Deus, foram abençoados.
i. “Ele fez com que [todas as palavras da lei] fossem lidas pelos levitas (Deuteronômio 27:14), e possivelmente o sentido fosse dado, como Neemias 8:8.” (Trapp)
ii. O tempo e a atenção dados às bênçãos e maldições da lei em Gerizim e Ebal refletem o coração de Moisés em seu apelo a Israel, chamando-os a obedecer a Deus e serem abençoados em vez de herdar as maldições prometidas ao Israel desobediente: Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao SENHOR teu Deus, obedecendo à sua voz, e te achegando a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que lhes havia de dar. (Deuteronômio 30:19-20)
iii. “Vemos na leitura das bênçãos e maldições não apenas uma continuidade da autoridade das Escrituras escritas e proposicionais, mas também uma ênfase no fato de que o mero conhecimento não é suficiente. Não era que o Pentateuco desse a essas pessoas conhecimento, e isso fosse o fim. Esse conhecimento exigia ação.” (Schaeffer)
iv. “Assim, toda precaução é tomada para garantir a obediência aos preceitos divinos e, consequentemente, promover a felicidade do povo; pois toda ordenança de Deus é notável, pois Ele sempre faz com que o interesse e o dever de seus seguidores andem de mãos dadas.” (Clarke)
©1996–presente O Comentário Bíblico Enduring Word por David Guzik –
