Salmo 125 – Como os Montes Cercam Jerusalém

Este cântico é intitulado Cântico de Romagem. Como os outros na série de 15 Cânticos de Romagem, era especialmente apropriado para aqueles peregrinos a caminho de Jerusalém para uma das três grandes festas anuais de Israel.

“Podemos imaginar os peregrinos entoando este cântico ao [caminhar] pelas muralhas da cidade.” (Charles Spurgeon)

A. O povo de Deus e o Monte Sião.

1. (1) A posição permanente do povo de Deus.

Cântico de Peregrinação.

a. Os que confiam no SENHOR: O que se segue é uma promessa feita àqueles que depositam sua confiança no SENHOR. Não podemos depositar adequadamente nossa confiança nEle até que removamos nossa confiança em outras coisas. Somente Ele é nosso refúgio e força.

i. “A frase, Os que confiam no Senhor, mostra uma das várias facetas de nosso relacionamento mencionadas no Antigo Testamento, juntamente com a menção daqueles que ‘temem’, ‘amam’ e ‘conhecem’ a ele; um vínculo pessoal íntimo demais para ser uma ligação passageira.” (Kidner)

ii. “Há uma falsa confiança em Sião, uma confiança que não vai além da mera cidade ou presume do compromisso de Deus em preservar a cidade.” (Boice)

iii. “Todos os que lidam com Deus devem lidar com base na confiança, e ele dará conforto apenas àqueles que lhe dão crédito, e deixam claro que o fazem abandonando outras confianças e arriscando-se ao máximo por Deus. Quanto mais nossas expectativas estiverem confinadas a Deus, mais altas nossas expectativas podem ser elevadas.” (Henry, citado em Spurgeon)

iv. “É bom compreender muito e confiar no Senhor com conhecimento crescente, mas, querida alma, se você não sabe muito, mas está confiando no Senhor, você será como o Monte Sião, que não pode ser abalado.” (Spurgeon)

b. São como o Monte Sião, que não se abala: O peregrino que vinha de longe ficava impressionado com a estatura e posição do Monte Sião, a colina proeminente sobre a qual Jerusalém foi estabelecida. Àquele que crê e confia no SENHOR é prometida a mesma segurança, e ele ou ela permanece para sempre. Nosso lugar em Seu amor, Sua nova vida e Seu propósito eterno dura para sempre e não se abala.

· Algumas pessoas são como a areia, sempre mudando e instáveis (Mateus 7:26).

· Algumas pessoas são como o mar, inquietas e agitadas (Isaías 57:20, Tiago 1:6).

· Algumas pessoas são como o vento, incertas e inconsistentes (Efésios 4:14).

· “Os crentes são como uma montanha – fortes, estáveis e seguros. A cada alma que confia nele, o Senhor diz: ‘Tu és Pedro.'” (Page, citado em Spurgeon)

i. “O SENHOR é seu fundamento rochoso, sua proteção envolvente, seu Rei entronizado. Nele está toda a sua força e confiança.” (Morgan)

ii. “É rocha sólida, alta e segura. Além disso, é cercada por outras montanhas, que o escritor compara a Deus, que igualmente cerca seu povo.” (Boice)

iii. “Não é estranho que poderes ímpios e idólatras não tenham se unido, cavado este monte e o levado para o mar, para que pudessem anular uma promessa na qual o povo de Deus exulta! Até que vocês possam levar o Monte Sião para o Mar Mediterrâneo, a igreja de Cristo crescerá e prevalecerá.” (Clarke, citado em Spurgeon)

2. (2) A grande segurança do povo de Deus.

Como os montes cercam Jerusalém,

a. Como os montes cercam Jerusalém: Jerusalém não está situada sobre uma colina, mas estabelecida entre uma série de colinas. O povo de Deus pode confiar que o SENHOR os cercará e protegerá como os montes cercam Jerusalém. O peregrino que vinha a Jerusalém via essas montanhas e com este cântico fazia aplicação espiritual da geografia.

b. Assim o SENHOR cerca o seu povo: Deus prometeu não apenas estar presente com Seu povo, mas também estar ao redor deles. Ele os cercaria, de modo que nada pode chegar até eles a menos que primeiro passe por Ele.

i. Como os montes cercam Jerusalém: “O Monte Sião não é o pico mais alto na cordilheira ao redor de Jerusalém. A leste fica o Monte das Oliveiras, ao norte o Monte Scopus, a oeste e ao sul estão outras colinas, todas mais altas que o Monte Sião. Cercado por montanhas, o Monte Sião estava seguro, por sua defensibilidade natural.” (VanGemeren)

ii. “É cercada por outras montanhas, a não grande distância, como se colocada no meio de um anfiteatro.” (Clarke)

iii. “As montanhas ao redor da cidade santa, embora não façam uma muralha circular, estão, no entanto, dispostas como sentinelas para guardar seus portões. Deus não encerra seu povo dentro de muralhas e baluartes, fazendo de sua cidade uma prisão; mas ainda assim ele ordena os arranjos de sua providência de modo que seus santos estejam tão seguros como se habitassem atrás das mais fortes fortificações.” (Spurgeon)

iv. “É uma concepção bela. Ao redor da cidade escolhida as montanhas ficavam como sentinelas, não deixando nenhuma parte sem sua barreira. Assim Deus está ao nosso redor, e isso nos permite entender como Suas permissões podem se tornar Suas determinações…. Os ataques de nossos inimigos são pelo menos permitidos por Deus, e Suas permissões são Suas determinações.” (Meyer)

v. O seu povo: “Aqui nos é ensinado que o povo do Senhor são aqueles que confiam nele, pois eles são assim descritos nos primeiros versículos.” (Spurgeon)

c. Desde agora e para sempre: Esta promessa permanece para o povo de Deus – aqueles que confiam nEle (Salmo 125:1). A proteção envolvente de Deus estará com os crentes para sempre, assim como Jesus prometeu Sua presença ao Seu povo até o fim do mundo (Mateus 28:20).

i. “Note, não se diz que o poder ou a sabedoria do SENHOR defende os crentes, mas ele mesmo está ao redor deles: eles têm sua personalidade para sua proteção, sua Divindade para sua guarda.” (Spurgeon)

ii. Nunca devemos separar o Salmo 125:1 do Salmo 125:2; a promessa do versículo 2 tem a condição de confiança no versículo 1. “Nos dias em que esse povo falhou na fé, as montanhas circundantes falharam em garantir segurança a Sião. Foi vencida e pisada.” (Morgan)

B. Justiça entre o povo de Deus.

1. (3) Justiça na terra.

O cetro dos ímpios não prevalecerá

a. Pois o cetro da impiedade não permanecerá sobre a terra destinada aos justos: Esta era a proteção que Deus prometeu ao Seu povo que confiava nEle. Na história de Israel, aquele cetro da impiedade só permaneceu sobre a terra quando o povo de Deus era obstinadamente injusto e desconfiado nEle.

i. Cetro da impiedade: “Isto pode ou não apontar para dominação estrangeira: os pagãos não têm monopólio do pecado.” (Kidner)

ii. “Vara [cetro], aqui, pode ser tomada por perseguição, ou por governo; e então pode ser assim interpretada: ‘Os ímpios não terão permissão para perseguir sempre, nem para ter um governo permanente.'” (Clarke)

iii. “Independentemente de quão maus fossem os tempos, eles sabiam que o Senhor havia prometido nunca permitir que os ímpios prevalecessem sobre os justos.” (VanGemeren)

iv. Os peregrinos em sua jornada a Jerusalém veriam muito da terra destinada aos justos enquanto viajavam. Eles poderiam refletir corretamente sobre esta promessa e determinar que seriam aqueles que confiavam em Deus. Eles eram os justos que haviam recebido a porção de Deus da terra.

b. Para que os justos não estendam suas mãos à iniquidade: Deus sabe que o governo dos ímpios poderia provocar até mesmo os piedosos a pecar através de rebelião ou frustração. Esta é uma das razões pelas quais Deus prometeu não permitir que os ímpios governassem sobre a terra destinada aos justos.

i. “É necessária sabedoria Divina para determinar quanto tempo uma provação deve durar para que possa testar a fé, fortalecendo-a assim, e não confundir a fé, precipitando assim almas frágeis ao pecado. Ele sabe quando dizer: ‘É suficiente.'” (Maclaren)

ii. “Se o mal prevalecesse, poderia ser uma ocasião para alguns dos piedosos serem tentados, desanimarem e caírem. Pelo bem do povo de Deus, a maldade deve chegar a um fim absoluto!” (VanGemeren)

iii. “Deus (diz Crisóstomo) age como um tocador de alaúde, que não deixará as cordas de seu alaúde muito frouxas, para não estragar a música, nem permitirá que sejam esticadas ou apertadas demais, para que não se quebrem.” (Trapp)

2. (4-5) Justiça no coração.

Senhor, trata com bondade Mas aos que se desviam

a. Faze bem, ó SENHOR, aos que são bons: Uma das características principais da Antiga Aliança que Deus fez com os israelitas no Monte Sinai era o princípio de abençoar sua obediência e amaldiçoar sua desobediência. Aqui, o cantor simplesmente orou para que Deus cumprisse esse aspecto da aliança e fizesse bem para aqueles que são bons.

i. A grandeza surpreendente da revelação do evangelho de Jesus Cristo é que Deus fez bem para aqueles que não são bons. Lembramos que no tempo certo Cristo morreu pelos ímpios (Romanos 5:6) e Deus demonstra seu próprio amor por nós, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:8).

ii. Aos que são retos de coração: “Os ‘bons e retos de coração’ são aqueles que permanecem firmes em cada mudança de circunstâncias; que não se queixam das dispensações de Deus, mas, acreditando que tudo é melhor o que ele ordena, aderem a ele com uma vontade inteiramente conformada à sua, na adversidade não menos que na bênção.” (Horne)

b. Quanto aos que se desviam para seus caminhos tortuosos: Sob a Antiga Aliança havia bênção para os bons, mas muitas maldições para os ímpios. O cantor imaginou esses praticantes da iniquidade sendo levados para fora da terra no exílio.

i. “…que não são fiéis; que cedem ao pecado; que retrocedem, e andam em um caminho tortuoso, amplamente diferente do caminho reto dos justos, yesharim, os retos de coração; eles serão levados ao castigo com os praticantes comuns da iniquidade.” (Clarke)

ii. “O salmista usa uma imagem vívida para descrever aderentes indecisos ao povo do SENHOR: ‘eles dobram seus caminhos’, de modo a torná-los tortuosos…. ‘Aqueles caminhos tortuosos e errantes’…nunca podem levar à firmeza ou a qualquer bem.” (Maclaren)

iii. O SENHOR os levará embora: “É importante notar a diferença entre a predição do escritor do julgamento certo de Deus sobre os ímpios e sua petição por bênção sobre os justos. Ele não precisa pedir que os ímpios sejam julgados, porque seu julgamento é certo, às vezes mais cedo do que nós ou eles esperamos!” (Boice)

c. Paz seja sobre Israel: O Salmo 125 termina com uma oração pronunciando shalom sobre Israel – essencialmente, que eles fossem os bons que desfrutam da bênção e não fossem os ímpios que sofrem o exílio.

i. “Lembramos que Jerusalém significa ‘paz’ (shalom). Assim, somos informados de que não apenas seremos como Salém, mas também teremos salém.” (Boice)

ii. “Finalmente o poeta, estendendo suas mãos sobre todo Israel, como se os abençoasse como um sacerdócio, abraça todas as suas esperanças, petições e desejos na única oração ‘Paz seja sobre Israel!'” (Maclaren)

©1996–presente O Enduring Word Bible Commentary por David Guzik –