Salmo 123 – Olhando para o SENHOR em Busca de Misericórdia na Aflição

Este salmo é simplesmente intitulado Cântico de Romagem. É mais um na série de salmos cantados por peregrinos a caminho de Jerusalém no tempo das festas. Esses cânticos nos dão um padrão de preparação para nos encontrarmos com Deus e Seu povo.

“Este Salmo (como você vê) é muito curto e, portanto, um exemplo muito adequado para mostrar que a força da oração não consiste em muitas palavras, mas no fervor do espírito. Pois assuntos grandes e importantes podem ser compreendidos em poucas palavras, se procedem do espírito e dos gemidos inexprimíveis do coração, especialmente quando nossa necessidade é tal que não permite nenhuma oração longa. Toda oração é longa o suficiente se for fervorosa e proceder de um coração que compreende a necessidade dos santos.” (Martinho Lutero, citado em Charles Spurgeon)

A. O aflito olha para o SENHOR.

1. (1) Para onde olhar.

Cântico de Peregrinação.

a. A Ti levanto os meus olhos: O salmista declara sua intenção e ação – levantar seus olhos para o SENHOR. Isso significa que seus olhos não estão em suas circunstâncias ou em si mesmo, mas no SENHOR.

i. “É bom ter alguém para quem olhar. O Salmista olhou tão alto que não poderia olhar mais alto. Não para as colinas, mas para o Deus das colinas ele olhou.” (Spurgeon)

b. Ó Tu que habitas nos céus: Ao lembrar onde Deus está, o salmista cresce em confiança. A terra pode não ter misericórdia ou ajuda, mas o céu tem abundância de misericórdia e ajuda.

i. Vemos um progresso nestes Salmos de Romagem, começando com o Salmo 120.

· No Salmo 120 lamentamos nosso ambiente.

· No Salmo 121 levantamos nossos olhos para as colinas de Sião.

· No Salmo 122 nos deleitamos na casa do SENHOR.

· No Salmo 123 olhamos acima das colinas para o SENHOR no céu.

ii. “O objetivo do peregrino não é Jerusalém, por mais importante que fosse aquela cidade, ou mesmo o templo em Jerusalém, por mais importante que fosse, mas o próprio Deus, cujo verdadeiro trono não está em lugar algum na terra, mas no céu.” (Boice)

2. (2) Como olhar.

Assim como os olhos dos servos

a. Como os olhos dos servos olham para a mão de seus senhores: O exemplo retrata um garçom ou mordomo em pé atrás de seu senhor sentado à mesa de jantar. O servo olha para a mão de seu senhor à espera da menor indicação de necessidade ou desejo, para atender instantaneamente à necessidade. Com essa mesma intensidade, devoção e firmeza, o salmista olha para Deus.

i. “Eles devem ficar onde possam vê-Lo; devem ter seu olhar fixo Nele; devem olhar com confiança paciente, bem como com desejo ansioso de entrar em atividade quando Ele indica Seus mandamentos.” (Maclaren)

ii. “Isso não é uma aprovação da escravidão, é claro. É uma maneira de dizer que a dependência do discípulo em Deus e a submissão a Deus não devem ser menos totais do que as do servo mais obediente de um senhor terreno.” (Boice)

iii. Morgan diz que a imagem dos servos olhando para as mãos do senhor sugere pelo menos três coisas:

· Dependência: As mãos do senhor proveem tudo o que é necessário.

· Submissão: As mãos do senhor dirigem o trabalho do servo.

· Disciplina: As mãos do senhor corrigem o servo.

iv. “Aqui, então, está a verdadeira maneira de buscar ajuda do SENHOR. É a da dependência, obediência e resposta à correção.” (Morgan)

b. Assim os nossos olhos olham para o SENHOR nosso Deus: O salmista esperou para mencionar Deus pelo nome, de modo a criar um senso de antecipação. O olhar é totalmente descrito antes que Aquele para quem se olha seja nomeado.

i. “O salmista cria um suspense ao prolongar o uso do nome divino.” (VanGemeren)

ii. “Olhamos para Deus assim – reverentemente, obedientemente, atentamente, continuamente, expectantemente, singularmente, submissamente, suplicantemente? Provavelmente não, mas deveríamos.” (Boice)

iii. “Criação, providência, graça; todos estes são movimentos da mão do SENHOR, e de cada um deles uma porção de nosso dever deve ser aprendida; portanto, devemos estudá-los cuidadosamente, para descobrir a vontade divina.” (Spurgeon)

iv. “Por muito tempo agimos por nossa própria iniciativa; esperemos em nosso Senhor exaltado pela indicação de Sua vontade.” (Meyer)

c. Até que tenha misericórdia de nós: Este é o tempo que o salmista focará sua atenção no SENHOR. Ele não exige uma resposta imediata, mas perseverará pacientemente até que o SENHOR estenda Sua misericórdia.

B. O aflito suplica por misericórdia.

1. (3) O pedido de misericórdia.

Misericórdia, Senhor!

a. Tem misericórdia de nós: O salmista não se contentou apenas em esperar por misericórdia; ele implorou por ela. Ele demonstrou que esperar no SENHOR não é uma coisa passiva. Ele repetiu o pedido de misericórdia, mostrando a intensidade de sua súplica. O Senhor para quem ele olhava olharia para ele e o ajudaria.

b. Pois estamos extremamente cheios de desprezo: O salmista precisava da intervenção e misericórdia de Deus porque se sentia cheio do desprezo lançado sobre ele por outros.

i. Extremamente cheios: “A palavra hebraica aqui usada significa ‘estar saturado’; ter o apetite totalmente satisfeito – como aplicado a alguém que está com fome ou sede. Então passa a significar estar inteiramente cheio, e a ideia aqui é que tanto desprezo havia sido lançado sobre eles quanto poderia ser; eles não poderiam experimentar mais.” (Barnes, citado em Spurgeon)

ii. Às vezes outros nos mostram desprezo, e isso simplesmente escorre como gotas de água. Outras vezes recebemos desprezo de outros e deixamos que nos encha – às vezes até estarmos extremamente cheios. Esses momentos nos abaixam e nos fazem sentir que somente a misericórdia de Deus pode nos salvar.

iii. Desprezo: “É esclarecedor que o desprezo seja destacado para menção. Outras coisas podem machucar, mas isso é aço frio. Vai mais fundo no espírito do que qualquer outra forma de rejeição.” (Kidner)

2. (4) A razão pela qual a misericórdia é necessária.

Estamos cansados de tanta zombaria

a. Do escárnio dos que estão à vontade: Este escárnio nunca é fácil de suportar, mas é especialmente doloroso quando vem daqueles que parecem estar à vontade, que parecem ter poucos problemas ou dificuldades na vida.

i. “Isso havia se tornado o pensamento principal de suas mentes, a tristeza peculiar de seus corações. Excluindo todos os outros sentimentos, um senso de escárnio monopolizou a alma e a tornou indizivelmente miserável.” (Spurgeon)

ii. “A razão pela qual as pessoas ridicularizam o que se opõem, além de ser tão fácil, é que é desmoralizante e frequentemente eficaz. É eficaz porque atinge as inseguranças ou fraquezas ocultas que quase todo mundo tem.” (Boice)

iii. “O efeito prejudicial da liberdade da aflição é singularmente evidente aqui. Coloque um homem perfeitamente à vontade e ele zomba dos piedosos sofredores, e torna-se ele mesmo orgulhoso em coração e conduta.” (Spurgeon)

b. Do desprezo dos orgulhosos: Isso tornou o desprezo acumulado sobre o salmista ainda pior – sabendo que vinha dos orgulhosos e arrogantes. No entanto, o salmista estava satisfeito em esperar pela misericórdia de Deus.

i. “Os orgulhosos pensam tanto de si mesmos que devem necessariamente pensar muito menos daqueles que são melhores do que eles mesmos. O orgulho é tanto desprezível quanto desdenhoso.” (Spurgeon)

ii. No entanto, este salmo está cheio da confiança não expressa de que a misericórdia de Deus triunfará sobre o desprezo dos orgulhosos.

iii. “Este doce salmo, com todo o seu senso doloroso das zombarias dos escarnecedores e sua longa duração, não tem nenhum acento de impaciência.” (Maclaren)

iv. Desprezo “…pode ser uma honra (Atos 5:41), e é algo que o próprio Cristo aceitou e tornou redentor.” (Kidner)

v. “Direcionar a vida para a adoração em uma era ímpia é sempre ser objeto de escárnio e desprezo. O que importa? Os olhos dos peregrinos do SENHOR estão levantados para o trono estabelecido muito acima de todo o tumulto e contenda de línguas.” (Morgan)

©1996–presente O Comentário Bíblico Enduring Word por David Guzik –